domingo, fevereiro 01, 2015

CANTO DA INOCÊNCIA

Vi o Caseiro erguer-se contra as sombras
das ovelhas atrozes que giravam
presas num olhal de ferro. Antes
de entrar no espaço da cidade
soube que as Ménades conduziam
o gado perverso que os deuses
haviam escolhido para símbolo.
Ovelhas que eram vítimas e carrascos
das nossas sombras crescentes, quando a tarde
escurecida, e o homem e a criança
redimiam em si a inocência.
     
Eu não sabia nada: só via os três
vultos enormes condenados ao círculo
da corda tensa, e no fim de tarde
cada forma inane jazia à espera.
O sentido da inocência só o soube
mais tarde na cidade, e então amei
o lugar-comum rural da minha vida,
escrita depois dos bíblicos pastores do Hebron
e dos idílicos da Idade Clássica.
      
         Fiama Hasse Pais Brandão

 

4 Comments:

Blogger A Casa Madeira said...

É assim que se ama o lugar comum da inocência, só percebe-se depois do fato.
Muito bonito!
Bom começo de semana.
Janicce.

12:43 da tarde  
Blogger Maria Rodrigues said...

Não conhecia a poetisa, obrigado pela partilha.
Beijinhos
Maria

8:33 da tarde  
Blogger Maria Luisa Adães said...

Gostei dessa lembrança

E do poema que deu origem à mesma!

Maria Luísa

"os7degraus"

9:51 da tarde  
Blogger hanna said...

Bonito poema. Beso

2:14 da manhã  

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